Entendimento com o ME "salva" 3.º período
lectivo, reforça a importância da unidade e da acção mas não dispensa os
professores de continuarem a lutar pela dignificação da profissão e pela
valorização da Escola Pública
A unidade e determinação dos
Professores e Educadores Portugueses, cujo momento alto de expressão
pública foi, recentemente, a extraordinária Marcha da Indignação,
realizada em 8 de Março, em Lisboa, teve na madrugada de 12 de Abril
importantíssimos resultados que, mais uma vez, confirmam que vale a pena
lutar, sublinha a Plataforma Sindical.
O designado Memorando de Entendimento entre a Plataforma Sindical dos
Professores e o Ministério da Educação é um importante documento que:
-Abre portas negociais em matérias que são determinantes para o
funcionamento das escolas e o exercício da profissão docente;
-Salvaguarda os docentes, quer este ano, quer no próximo, de eventuais
efeitos nefastos de um modelo de avaliação que não foi testado e é
negativo;
-Impede o tratamento diferenciado entre docentes das diversas escolas ao
uniformizar, através de simplificação, os procedimentos de avaliação a
aplicar nos dois meses que faltam para o encerramento do ano lectivo;
-Estabelece um número mínimo de horas para o trabalho individual dos
docentes, acabando com os abusos que, em algumas escolas, se têm
verificado;
-Reconhece o direito de as horas de formação contínua dos docentes serem
deduzidas na sua componente individual de estabelecimento;
-Reconhece o direito, aos docentes contratados, de verem considerado o seu
tempo de serviço, ainda que os respectivos contratos sejam inferiores a 4
meses;
-Remete para o próximo ano lectivo os primeiros procedimentos decorrentes
do regime de gestão escolar recentemente aprovado pelo Governo.
-O Memorando de Entendimento estabelece, ainda, diversos processos
negociais, nomeadamente sobre:
-Alteração do modelo de avaliação (Junho e Julho de 2009),
constituindo-se, para a sua preparação, uma comissão paritária entre os
Sindicatos e o ME;
Critérios para a definição de créditos horários destinados à avaliação,
para além de outras condições que, antes, se encontravam apenas previstas
para discussão com o Conselho das Escolas e, assim, passam a ser do âmbito
da negociação sindical;
-Criação de um novo índice remuneratório para a carreira docente que, ao
ser garantido que não implicará o aumento da sua actual duração, pressupõe
uma reestruturação da mesma.
Este entendimento não consubstancia qualquer acordo com o Ministério
Este Memorando de Entendimento deverá integrar um documento mais amplo,
com características de declaração conjunta, em que Sindicatos e Ministério
da Educação farão constar posições autónomas sobre o processo que decorreu
e culminou neste entendimento.
Para a Plataforma, este entendimento não
consubstancia qualquer acordo com o Ministério que, de facto, não existe.
As organizações sindicais de docentes não alteram, com este entendimento,
o seu profundo desacordo face a uma política que, em sua opinião:
Não dignifica a profissão e os profissionais docentes;
Não contribui para que melhorem as condições de trabalho nas escolas
Não permite uma melhor organização e funcionamento, como não reforça a
autonomia das escolas;
Não se orienta para que a Escola Pública reforce os níveis de qualidade e
diversifique as suas respostas, incluindo no plano social.
Diplomas legais como o actual Estatuto da Carreira Docente, o novo regime
de direcção e gestão escolar ou a recente legislação sobre Educação
Especial são alguns dos exemplos que se consideram mais negativos.
Assim, no sentido de alterar o rumo dessa política, as organizações
sindicais continuarão a agir e a propor alternativas às medidas que têm
sido implementadas pelo ME.
Todavia, e era esse um dos objectivos aprovados na Marcha da Indignação,
Sindicatos e ME deram passos importantes no sentido de "salvar" o 3.º
período lectivo de uma instabilidade que se previa muito forte, quer
devido à introdução, à força e sem regras, da avaliação dos professores,
sendo evidente a falta de condições das escolas para tal, quer das fortes
lutas que se anunciavam para o final do ano lectivo. Foi essa oportunidade
dada ao país pelos Sindicatos e pelos Professores e, em especial aos
alunos, que permitiu a obtenção destes importantíssimos resultados.
Na sequência deste Memorando de Entendimento, manter-se-ão as
concentrações previstas para as capitais do norte do país, a realizar já
na segunda-feira, dia 14 - com a participação dos secretários-gerais das
organizações sindicais - bem como o Dia D, previsto para dia 15, terça, em
todas as escolas/agrupamentos, devendo este dia representar um momento de
debate, reflexão e ratificação deste entendimento pelos professores e
educadores. A assinatura da declaração conjunta entre os Sindicatos e o ME
está prevista para dia 17 de Abril, quinta, pelas 11 horas, nas
instalações do CNE.
É necessário, agora, um grande acompanhamento dos professores e dos seus
Sindicatos na concretização deste entendimento e o reforço da exigência e
da acção em defesa de uma nova política educativa para o país, num quadro
de respeito pelos Professores e de negociação com as suas organizações
representativas.
A Plataforma Sindical dos Professores